Pacientes passaram a exigir remédios do 'kit covid' após falas de Bolsonaro, diz Batista à CPI

A posição foi uma resposta ao relator Renan Calheiros (MDB-AL), que perguntou sobre o impacto do apoio do presidente na decisão da Prevent Senior de apoiar o uso da hidroxicloroquina

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2021-09-22 17:57:11

Valor Economico

Em depoimento à CPI das Covid, o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, admitiu nesta quarta-feira (22) que pacientes da operadora de saúde passaram a exigir a prescrição da cloroquina e de outros medicamentos do “kit covid” após falas do presidente Jair Bolsonaro e de outras pessoas influentes em defesa do tratamento precoce.

“Quem prescreve qualquer medicação é o próprio médico e, naquele momento, houve, até devido a pronunciamentos não só da Presidência, mas de outras pessoas influentes também, uma série de pacientes exigindo a prescrição da medicação”, afirmou Batista.

“Isso, quando veio ao encontro dos médicos que estavam na linha de frente tentando salvar vida dos pacientes, tornou-se uma situação. Como não havia respostas ainda, [... era a] medicação disponível”, completou.

A posição foi uma resposta ao relator Renan Calheiros (MDB-AL), que perguntou sobre o impacto do apoio de Bolsonaro na decisão da Prevent Senior de apoiar o uso da hidroxicloroquina.

Diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, presta depoimento na CPI da Covid — Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

A resistência do diretor-executivo da Prevent Senior em apresentar números sobre mortes por complicações da covid atendidos pela operadora irritou o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). 'Devia ter, tinha que ter. Sabia que viria aqui na CPI. O senhor está de graça aqui', bradou Aziz.

O senador disse que Batista estava 'fazendo onda', e logo o senador Rogério Carvalho (PT-SE) acusou o depoente de 'estar mentindo' ao dizer que não houve prescrição de 'kit covid' sem diagnóstico pela Prevent.

Com ânimos exaltados, a defesa de Batista reclamou do tratamento prestado ao depoente.

Com a retomada dos questionamentos sobre a atuação da empresa, Batista assegurou que 'nunca houve falsificação de prontuários' na empresa e que denúncias contra a Prevent Senior 'são infundadas e precisam ser avaliadas criteriosamente'.

Diante da exibição de reportagens em que médicos que atuaram na empresa dizem ter sido intimados a receitar medicamentos sem eficácia, o diretor reiterou que 'nenhum médico foi constrangido por não seguir suposta orientação de receitar kit covid'.

No encerramento do bloco de perguntas do relator da CPI, em que ele levantou acusações contra a Prevent Senior feitas em dossiê entregue à comissão, Batista disse que o material representa um 'desrespeito' aos mais de 3 mil médicos ligados à Prevent Senior e suas famílias.

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