Ao vivo: Diretor da Prevent Senior admite “estudo observacional” com pacientes de covid-19

A CPI da Covid ouve o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, nesta quarta-feira (22). A reunião será transmitida ao vivo pelo Congresso em Foco. Acompanhe ao vivo: O depoimento desta quarta-feira (22) começou por …

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2021-09-22 16:24:40

Congresso em Foco

A CPI da Covid ouve o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, nesta quarta-feira (22). A reunião será transmitida ao vivo pelo Congresso em Foco.

Acompanhe ao vivo:

O depoimento desta quarta-feira (22) começou por volta das 11h28. O senador Omar Aziz (PSD-AM) abriu  a reunião antes, mas os parlamentares dedicaram um tempo para se solidarizar aos ataques proferidos a senadora Simone Tebet (MDB-MS) na oitiva de terça-feira (21).

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O depoente, Pedro Batista Júnior, negou que a Prevent Sênior praticou testagem em massa com o chamado tratamento precoce, ineficaz para a cura e prevenção da infecção por covid-19. De acordo com ele, o que houve foi 'estudo observacional'. De acordo com ele, nenhum médico foi orientado a receitar o medicamento hidroxicloroquina. 'Cada médico teve a sua autonomia', defendeu.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão, apresentou um áudio de Pedro Batista com outro médico em tom de ameaça. Na fala, o representante da Prevent Sênior pede que o profissional que denunciou as atitudes do plano de saúde volte atrás nas declarações. Confira:

A pesquisa com o kit de medicamentos ineficaz pela Prevent Sênior teve início no dia 6 de abril, sem a autorização do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), no dia 14 do mesmo mês o Conep liberou o estudo, porém seis dias depois o Cope proibiu a prática. Apesar disso,  Pedro Batista Júnior afirmou que o plano de saúde não precisou da autorização do Conselho.

Os senadores ficaram insatisfeitos com as respostas do depoente. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) chegou a chamar Pedro Batista de 'mentiroso'. Os outros parlamentares presentes  concordaram com os apontamentos  de Rogério. 'Está de graça aqui na CPI', criticou Aziz. A defesa de Pedro Batista interrompeu os senadores para pedir respeito ao representante do plano de saúde.

Apesar da familiaridade na defesa do tratamento ineficaz para a covid-19, Pedro Batista negou ao colegiado qualquer relação do plano de saúde com algum aliado do presidente Jair Bolsonaro no Congresso. 'A Prevent Sênior não tem relação com nenhum gabinete', disse.

Entenda o caso: 

Empresa especializada em planos de saúde para idosos, a Prevent Senior é acusada de ter realizado um estudo com seus pacientes para estimular o uso de hidroxicloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada no combate à covid-19. Nesse estudo, a Prevent Senior teria ocultado mortes que ocorreram com alguns pacientes testados para distorcer o resultado e fazer crer que o uso da medicação tinha obtido bom resultado.

De acordo com o dossiê, nove pessoas morreram durante a pesquisa, mas o estudo mencionou apenas duas mortes. Esse estudo chegou a ser divulgado e elogiado por Bolsonaro como exemplo do sucesso do tratamento precoce.

O depoimento de Pedro Benedito Batista Júnior era aguardado para a quinta (16) passada, mas o empresário não compareceu sob a alegação de que não houve tempo hábil para se programar e estar presente na comissão. Posteriormente, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de habeas corpus que lhe garante o direito de permanecer em silêncio em questionamentos que possam incriminá-lo. A medida foi concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski.

A convocação de Pedro Benedito Júnior foi requerida pelo senador Humberto Costa (PT-PE). O congressista afirma que diversas denúncias de usuários da Prevent Senior relacionadas ao tratamento precoce têm chegado à CPI. Uma dessas denúncias está anexada ao requerimento do senador. Em um dos trechos consta o seguinte relato:

“Minha companheira testou positivo ontem e ao passar pela consulta o médico disse que era protocolo da empresa oferecer o kit. Ela recusou. Mais tarde, em casa, recebeu um telefonema de um funcionário insistindo em que ela aceitasse tomar o kit com cloroquina, porque era o único remédio para isso, e que se a doença ficasse pior, não tinha o que fazer, a não ser entubar”, diz a mensagem.

O senador e demais integrantes da CPI têm reforçado que é inadequado o uso de recursos públicos para a aquisição, distribuição e indução de medicamentos do chamado tratamento precoce, como a cloroquina e a hidroxicloroquina, sem respaldo científico.

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